Temporal


Meu tio está no hospital com covid.

Aconteceram muitas coisas nos últimos dias. Primeiro que eu me mantive uma semana sem internet. Porque a torre do sinal caiu. Caiu com o temporal. Parece aquela piada que fala que o cavalo morreu de sede porque a fazenda pegou fogo. Ou algo assim, não importa. Faz uma semana (oito dias, mais precisamente) que o ciclone passou por aqui. Não preciso e nem quero entrar em detalhes. O que posso dizer é que estava na escola, na porta da secretaria, olhando em direção às salas de aula, quando vi (ninguém me contou, eu vi) o vento levar, como se fosse papel, as telhas de uma sala de aula. Quando eu vi aquilo achei que a escola ia literalmente cair. Depois pensei na casa da minha mãe, e na minha. Graças ao bom Deus a escola não caiu, nem a minha casa nem a da minha mãe. Apenas algumas goteiras. Uma semana depois, o tempo continua um cocô. Mas pelo menos eu tenho uma casa.

Depois de matar umas quatorze pessoas da UNIFIQUE e precisar contratar os serviços de outra empresa, acho que a internet está normal. Impressionante como a gente depende dessas tecnologias que, há quinze anos, eram semi luxo em nosso mundo. Felizmente eu tinha água e luz. Muitas pessoas ficaram sem água, sem luz e sem lar. Apesar dos transtornos, foi uma benção os estragos nas nossas vidas serem mínimos. Foi uma benção estarmos sem aula naquele dia, porque eu não sei o que faríamos com as crianças se com aquela ventania terrível estivéssemos em aula. Às vezes os caminhos que a vida toma são tortuosos.

Tortuosos como uma pandemia. Seja de covid ou de coisa pior (algumas pessoas isoladas na Ásia com peste bubônica me dão calafrios). Estou orando pelo meu tio, que acho que é mais uma vítima, mais do que da covid, da depressão, do isolamento, da solidão. A minha tia morreu de câncer há alguns anos. Os filhos dele estão crescidos. Então... não sei o que ele encara como sentido de sua própria vida. Assim como não sei para meu avô. Ele está melhor. Na verdade, continua do mesmo jeito... mas só de ter a confirmação de que seu problema de saúde não é grave, a gente sente um pouco mais de esperança. Mas são sei qual a esperança que ele mesmo tem, não sei o que realmente se passa na sua mente. As vezes não sei nem o que se passa na minha. Hoje mesmo eu vi um vídeo. Às vezes a gente tem mil ideias, sonhos e vontades. Mas o tempo passa, e sempre é mais confortável sentar-se no sofá com o cobertor e ficar vendo filme do que agir. Ou então a pandemia está lá fora. Algumas coisas que você desejava fazer de repente estão tão longe de você... ontem vi numa loja de artigos FITNESS: “Nada pode me parar”. A velha hipocrisia do ser humano. Um vírus que você nem enxerga pode te parar. Desse jeito, é difícil ter pena da própria espécie.

Tinha tanta coisa que eu queria escrever que eu esqueci. Hoje teve reunião da escola. Via GOOGLE MEET (paga nóis Google). Não para de chover. Terminei de ler Outsider. Não estou grávida. Estou meio desanimada. Na verdade, meu humor anda cada vez mais inconstante. Acho que às vezes é um tormento conviver comigo. Nem eu mesma me aguento.

Segue a vida. Às vezes (eu não devia repetir tanto) por caminhos bem esquisitos. 


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